08 Janeiro 2008

Nas entrelinhas percebemos como funcionam as estruturas sociais

Sempre tive mania de comprar variados jornais para ler, é interessante, pois apesar de as noticiais serem muitas vezes as mesmas entre os meios de comunicação, com um pouco de atenção, logo você percebe o direcionamento de um discurso para uma determinada posição política ou ideológica.

Continuando com a série notícias absurdas publicadas nos jornais, nesta percebe-se claramente o direcionamento do ensino público voltado exclusivamente para o mercado de trabalho. É nas entrelinhas que você entende como funciona as estruturas de nossa sociedade. Nos discursos laterais e descontextualizados, cria-se um consenso em torno de medidas neo-liberais que visam a questões sobre racionalidade administrativa e corte de gastos, porém, em contrapartida, excluí em qualquer instancia qual é a especificidade da educação superior.

O ensino sob uma sociedade subdesenvolvida como a brasileira tende a ser cada vez mais tecnizante. Se valendo de Paulo Freire, “o aprender não abriga necessariamente o saber”, ao invés de produzir novos conhecimentos, passamos a reproduzir conceitos e teorias escritos por outros, muitas vezes sem a crítica necessária, compramos conhecimento ao invés de produzi-lo. A representação da realidade pode ser direta ou indireta. Os dominantes impõem seus interesses como meio de controle social. A ideologia segundo Marx é uma falsa consciência que impede as pessoas dominadas de perceberem estes interesses. A educação ao contrário do que é apresentado deve-se sobrepor a interesses particulares.

Defender quantidade de formandos de modo isolado é uma visão simplista, não ataca os problemas do ensino superior, foge-se dele, esvaziando a questão de sentido. Acaba que a educação dentro do coletivo é sempre obstacularizada pelas disposições estranhadas do capitalismo. A pouca formação é determinada por muitos fatores. Falta de bolsas, de moradia, dificuldade do curso, não adequação ao curso, necessidade de trabalhar.

Com o tempo, escutando sempre este pretexto de eficiência, muito tempo de formação, estudantes vagabundos, entre outros, a origem se perde, os indivíduos ficam sem referencia de onde surgiu determinado saber, quando não acabam concordando com tais políticas. É a mesma estratégia utilizada nas privatizações das empresas estatais. Devemos sempre questionar as notícias, perguntar como foram construídas. Uma expressão, às vezes aparentemente uma simples palavra, vem sempre carregada de muito significado. Por trás de tudo isto está a política do REUNI defendida pelo governo Lula. Devemos sempre praticar a arte da desconfiança.

Jornal Agora São Paulo 30/12/2007

Cai número de formados nas universidades públicas

Quantidade caiu 9,5% em 2 anos, embora número de alunos tenha aumentado

O número de alunos que entra nas universidades públicas brasileiras cresce desde a década passada. Nos dois últimos anos, porém, a quantidade de estudantes formados nessa rede caiu quase 10%, apontam dados do Ministério da Educação.

O resultado representa uma perda na eficiência nessas instituições, que são financiadas com recursos públicos. Neste ano, somente a rede federal terá R$ 1,7 bilhão para custeio, três vezes mais do que há quatro anos, segundo o MEC.
Pesquisadores afirmam que a queda ocorre devido ao aumento da evasão (estudantes que desistem dos cursos). Outro ponto é o aumento do tempo que os estudantes têm levado para se formar.

São 19.177 estudantes a menos se formaram nas instituições públicas em 2006 do que em 2004 (queda de 9,5%).

A perda de mais de 19 mil alunos representa quase o dobro de vagas oferecidas pela USP no vestibular para 2008.

A atual equipe do ministério da Educação culpa a administração Fernando Henrique Cardoso (1995 – 2002) pela perda de eficiência nas universidades federais do país. Os tucanos rebateram e dizem que o governo federal não faz cobrança sobre as universidades públicas.

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