Filme "Crash - No Limite" vai virar série de TV

O filme "Crash - No Limite", de Paul Haggis, premiado em 2006 com o Oscar de melhor filme, melhor roteiro original e melhor montagem, irá se tornar uma série televisiva produzida pela Starz Entertainment.

O longa, ambientado em Los Angeles, contava de maneira entrelaçada as histórias de vários personagens, todos de etnias diferentes, abordando assim o delicado tema dos conflitos raciais.

Ator Don Cheadle deve repetir a dose e atuar na série do filme "Crash - No Limite"

"É interessante porque meu desejo no início era o de apresentar Crash na TV e não de realizar um produto para a telona, e agora parece que um ciclo se fechou. Estou emocionado, espero com ânsia o resultado final", disse ao "Los Angeles Times" o diretor canadense, que também foi roteirista e co-produtor do filme.

O diretor dos programas da Starz, Stephen Shelanki, revelou que muito provavelmente o ator Don Cheadle, intérprete e co-produtor de "Crash", irá atuar na série no mesmo papel de detetive de polícia que havia feito no filme.

As filmagens deverão ser iniciadas até o meio deste ano. Já o programa, que será constituído de 13 episódios de uma hora cada, será transmitido a partir do final do ano.

Fonte: Folha Ilustrada
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u368208.shtml

Mudanças...

Apesar de no final as coisas se encaminharem bem, a casa na bernadino de campos 780, Vl. Sto Antonio, Maringá/PR... Vai deixar saudades... Felizmente passamos mais momentos positivos que negativos nesta casa... Espero que o novo dono a cuide dela como nós cuidamos...

Fico desolado quando penso que alguém foi tolo o bastante para pagar 200 mil nesta casa... E depois de pensar que queriam que nós pagassemos pelo erro tanto da imobiliária quanto do novo proprietário...

Pra finalizar, talvez a frase que mais representa ultimamente minhas inquietações... "Eu tenho que parar de resolver o problema dos outros, e os problemas que 'outros' me arrumam"

... Amor a profissão não enche a barriga ...

Muito se discute quando alguém vai prestar vestibular para Ciências Sociais e logo se questiona a respeito dos salários pagos... Logo o garoto com 17, 18 anos inocente das problemáticas da vida responde, vou fazer o curso por amor a profissão...

Apenas "amor a profissão não enche a barriga", dinheiro é importante sim... afinal você precisa de uma boa casa pra morar pagar contas, viajar, sair, comprar coisas pra casa, livros, comer, pagar faxineira, enfim... "a gente não quer só comida”...

Depois ao longo da vida, você passa a ter filhos, querer ter um carro (você não quer andar de ônibus pelo resto da vida, ou quer?), plano de saúde... enfim os gastos aumentam gradativamente com o passar dos anos... ou alguém considera que estas coisas não são importantes. Podem não ser no momento, porém em um futuro não muito distante, serão essenciais...

Por isso, aliado a outras questões, eu me revolto quando falam que sociólogo tem que ganhar pouco... Enquanto no Brasil se paga na universidade (Nível de Doutor) em torno de 3,5 a 4 mil reais nos Estados Unidos se paga tranqüilo 15 mil aos sociólogos... Uma diferença gritante, isso fora as verbas conseguidas para pesquisas. Só um ignorante para acreditar que Bourdieu, depois de ingressar na universidade continuou pobre...

Neste país existe uma cínica mentalidade de que ganhar um bom salário é ruim, pecaminoso, não é importante, sei lá mais o que... temos de aceitar nossa condição... concordando com essa visão estamos reproduzindo apenas o que queremos combater... Temos que ganhar um salário justo, um bom salário, que atenda as nossas necessidades, tanto do estomago, quanto das fantasias... e sobre espaço para eventuais emergências...

Reverter os quadros da precarizaçao da nossa profissão é também reverter características de nossa cultura, não estamos isolados do mundo. No Ensino Médio os quadros são ainda piores, aqui no Paraná paga-se 620 reais por mês por 40 h/s... O ritmo de trabalho é alucinante, às vezes tem de se encarar 5, 6 classes em um único dia... Ninguém agüenta ficar na profissão... É preciso valorizar mais nossa profissão, não apenas a área da educação, que é o maior mercado, mas também a parte de pesquisa e lutar por mais espaço no âmbito privado...

Ao contrário dos sociólogos de muitos outros países, muitos dos nossos trabalhos, que levam horas para ser produzidos, são entregues de graça, como se não tivéssemos um tempo socialmente gasto para produzi-lo, fico a me perguntar se conheço algum engenheiro entrega algum projeto de graça, um médico faz uma consulta sem cobrar. Penso que o meio das Ciências Sociais tem de perder sua inocência e suas hipocrisias... Faça o que eu digo, mas não o que eu faço... E quero deixar bem claro que isto em nenhum momento quer dizer que não devemos se preocupar com a qualidade de nossas pesquisas...

Não basta conhecer os fatos sociais formalmente, é preciso entender as relações que regem determinada conjuntura. Vejo colegas que trabalham cedo/tarde/noite para ganharem 1,500 reais... é absurdo, mal dá para pagar as contas do mês, mas é a realidade de muitos que não chegaram ainda ao tão desejado mestrado/doutorado...

Infelizmente essa é a realidade da área, não podemos escondê-la, pelo contrário temos de mostrá-la para com base nela, mudar a realidade... Dinheiro é importante sim, não é tudo, mas dá tranqüilidade para enfrentar a realidade...

... A sociologia está muito sintonizada com o caráter da era moderna justamente por resgatar a consciencia de um mundo em que os valores têm sido radicalmente relativizados ...

Perter Berger - Perspectivas Sociológicas - página 57

Counter Strike

O país tem tantos problemas que deveriam ser pensados antes... como sempre, caminhamos para trás...

Counter-Strike e EverQuest são proibidos no Brasil

Em uma decisão judicial proferida pela 17ª Vara Federal da Seção Judiciária do Estado de Minas Gerais, os jogos Counter Strike e Everquest foram considerados “impróprios para o consumo”, ou seja, proibidos em todo o Brasil. A notícia foi divulgada pelo site oficial do Procon de Goiás, que já começou a caça às bruxas por lá, e deve apreender todas cópias desses títulos em Lan Houses do estado.

Segundo o Juiz Carlos Alberto Simões de Tomaz, esses jogos foram considerados “nefastos”, sendo que enquanto EverQuest “leva o jogador ao total desvirtuamento e conflitos psicológicos pesados”, Counter Strike é considerado um jogo que “impressiona pelo realismo”, e nele traficantes do Rio de Janeiro seqüestram e levam para um morro três representantes da Organização das Nações Unidas. A polícia invade o local e é recebida a tiros“. Uma alusão extra-dramatizada da famosa fase cs_rio, que, curiosamente, foi criada por um usuário e não faz parte do jogo original.

Além da evidente ignorância sobre o assunto, as autoridades responsáveis demonstraram o quão lenta e imprecisa a justiça brasileira pode ser. Counter Strike e Everquest já podem ser considerados ultrapassados e possivelmente essa ação judicial tem como base a febre das Lan Houses do começo da década.

Counter Strike e Everquest então se juntam a uma curta lista de outros jogos que foram proibidos no país, como Carmageddon, Postal e o primeiro GTA. Verdadeiros clássicos eternizados pela proibição.

Fonte: Outer Space

WWE no SBT

É piada falar para a molecada não tentar fazer os golpes dos lutadores em casa... hauhauhau... caraca que que foi aquele salto do Jeff Hardy... virei fã do cara... O SBT tá salvando a televisão brasileira... Vida longa a luta livre na tv...

Front Mission 3

Finalmente consegui baixar uma versão de Front Mission 3 para ps1. Pelas primeiras impressões o game é tão bom quanto a versão clássica para SNES.

Abaixo deixo os links de onde consegui a ISO do game...

download - playstantion
Título do Jogo / Game Name: Front Mission 3
Empresa / Company: SquareSoft
Ano / Year: 2000
Género / Type: Tactical-RPG
Região / Region: PAL
Idioma / Language:English
Servidor / Server: Rapidshare

Requisitos / Requests:
PS1 ou PS2 chipada ou emulador para jogar no pc.

Modded PS1 or PS2 or an emulator to play on the pc.

Links:

Part 1 - http://rapidshare.com/files/8980263/FM3_by_marcio1986.part1.rar
Part 2 - http://rapidshare.com/files/9099550/FM3_by_marcio1986.part2.rar
Part 3 - http://rapidshare.com/files/8969592/FM3_by_marcio1986.part3.rar
Part 4 - http://rapidshare.com/files/9231440/FM3_by_marcio1986.part4.rar
Part 5 - http://rapidshare.com/files/8963941/FM3_by_marcio1986.part5.rar

Password:
marcio1986@upload

103fm = Decadencia

Peguei o carro e fui pagar as contas hoje, liguei o som e sintonizei na rádio 103, antiga rádio rock de Sorocaba. Bateu aquela nostalgia. A programação anteriormente era razoável, muito comercial, em contrapartida, a noite havia os programas que não eram estritamente comerciais, então tocava alguns sons de qualidade aliado a isto, o que a valorizava mesmo a antiga rádio, era os diversos shows que trazia e a organização frequente de vários eventos muito legais na cidade, e com uma organização excelente, que infelizmente era muito criticada, não compreendo ainda hoje o porquê, era decepcionante escutar que as críticas infundadas. Desculpa o preconceito, mas é típico de brasileiro mesmo... não vi mas não gostei...

Eramos "privilegiados", nenhuma outra cidade tem ou tinha a mesma frequencia de shows, a mesma estrutura e os preços baixos... qualquer outro lugar se pagas 50 reias pra ver um show enquanto aqui se pagava 15 reais, às vezes menos. Juntava dinheiro que era para mim comer para poder ir aos shows, juntava a galera para fazer uma vaquinha pro transporte, dormia na casa dos outros, comia pão com mortadela, xavecava um monte de mina (bons tempos), era muita loucura, e nada de drogas e outras coisas que hoje fazem a cabeça da juventude, era puro desejo de curtir um som, se libertar por algumas horas das opressões de nossa sociedade.

Putz como sinto falta desta época... Na faculdade principalmente, as vezes quero discutir sobre música, quero falar sobre o novo do Radiohead, do Smashing Pumpkins, da descobeta do Block Party, mas o pessoal quer comentar sobre o novo disco da Maria Rita... fico deslocado... Penso como Rogério Skylab em Todo mundo mora mal: "O que é pior Zélia Duncan ou Ana Carolina?", uma hora cansa falar mal dos gostos dos outros, até quando a ilha resiste a força do oceano...

Venderam a rádio ano passado, aliás a rede 89 inteira, demitiram os locutores e finalizaram todos os programas não-comerciais, desde então pouco sintonizei nela, pois passou a tocar apenas músicas "black" e eletrônica, ou seja as músicas de playba e de mano da MTV. Os eventos e shows de rock acabaram. Li uma vez que a rádio recentemente patrocinou o show da Hilary Duff...

Sorocaba atualmente não dispõe de nenhum local interessante para sair a noite, é preferível ficar em casa a passar decepção nas casas noturnas que persistem, e a culpa em parte é dos próprios habitantes que não valorizavam o que tinham. Hoje como estava no carro e sem nenhum CD sintonizei nela por curiosidade e estava tocando "I Will Survive"... decadência... Tudo que é sólido se não damos valor logo se desmancha no ar......

Entrevista: Dom Tomás Balduíno a revista Isto é

Muito interessante e relevante a entrevista de dom Tomás Balduíno à revista Isto É desta semana, que transcrevo abaixo. Se a igreja realmente colocasse o que foi dito abaixo em prática, os rumos das políticas sociais poderiam ser diferentes... No discurso dizem uma coisa na prática, "as estruturas informais de poder" tornam a teoria outra. Mesmo assim a entrevista vale a pena pela discussão levantada.

Entrevista

''Lula esgotou-se''Ex-aliado do PT, bispo diz que governo e movimentos sociais se opõem em temas como biocombustíveis e reforma agrária

Por AZIZ FILHO

O bispo emérito de Goiás, dom Tomás Balduíno, se mantém, aos 85 anos, como uma das vozes mais contundentes da esquerda da Igreja Católica. Fundador do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), cofundador e ex-presidente da Comissão Pastoral da Terra (CPT), o antigo "companheiro de viagem" do PT critica a moderação de Lula no poder, defende com unhas e dentes a reforma agrária e justifica as ações violentas do Movimento dos Sem-Terra com um ditado popular que pode soar polêmico: "A violência é legítima quando a mansidão é vã." Em entrevista à ISTOÉ, dom Tomás alerta para a tensão no Pará, elogia Hugo Chávez e diz que o presidente Lula não gera mais nenhuma expectativa de mudança no País. "Lula esgotou-se", diz. O religioso usa a bússola ideológica ao analisar a sucessão de 2010, e cita nomes que gostaria de ver no Planalto. Pelo PT, o senador Eduardo Suplicy. Pelo PMDB, o senador Pedro Simon. Pelo PSDB, torce para que José Serra, por suas "tendências esquerdistas", vença a disputa com Aécio Neves.

ISTOÉ - O fim da CPMF foi bom para o Brasil?
Dom Tomás Balduíno - Foi uma perda lamentável porque o País perdeu seu melhor instrumento para arrecadar o dinheiro dos ricos. Essa derrota aconteceu porque o governo não abriu os olhos da sociedade para este fato. Até porque estava tirando dinheiro dos ricos para dar para outros ricos, tirava dos bancos para dar aos bancos, pagando a dívida. Por isso, ficou sem força moral para mostrar ao povo como essa arrecadação era eficaz.

ISTOÉ - Taxar operações financeiras é uma boa saída?
Dom Tomás - É uma medida positiva, mas continua faltando ao governo um diálogo com a base do povo. O governo perdeu essa prática. Todo governo com base popular tem condições de conscientizar a população quando entra em confronto com a classe exploradora. Lula manifestou que não tem mais essa condição. Ele se beneficia de uma forte aceitação popular, mas não dialoga com o povo.

ISTOÉ - O governo Lula combateu mais o latifúndio do que os antecessores?
Dom Tomás - Na luta contra o latifúndio, Lula não fez diferença nenhuma. É verdade que ele não reprimiu os movimentos sociais, como o Fernando Henrique, e dialogou, não fechou as portas. Mas o que realmente avança no País não é o social. É o mercado, o capital. Lula não está avançando nas desapropriações. Pelo contrário. O curso dado ao agronegócio está reduzindo o espaço da reforma agrária. As desapropriações estão muito aquém das metas que ele mesmo traçou. Hoje, reforma agrária é um assunto que saiu de pauta, de cogitação.

ISTOÉ - Não seria pelo fato de a mecanização rural ser obrigatória para a inserção do País no comércio mundial?
Dom Tomás - Se pautarmos nosso desenvolvimento pelos olhos europeus, pode ser, mas é preciso ver nossa realidade, conseguir respostas a partir dos anseios das massas brasileiras. O neoliberalismo é predador, devastador. Pode ser que favoreça as minorias ricas e o mundo europeu, mas aqui tem aumentado a disparidade, a desigualdade. O governo Lula, que é de aliança com o capital, se sente estimulado pelas forças que têm poder de comando na sociedade. Vai em outra linha que não é a de atender aos apelos das massas populares. Nosso universo é outro, é o do camponês, do indígena, do latino-americano, que conserva sua mística, sua grandeza.

ISTOÉ - As invasões da Vale do Rio Doce e de hidrelétricas não põem a opinião pública contra o movimento camponês?
Dom Tomás - Não condeno essas ações. São violentas, sim, mas o objetivo é criar impacto, como no caso das sementes de eucalipto da Aracruz Celulose. Eles reclamam, mandam correspondência, reivindicam, fazem requerimentos, e não são vistos, nada acontece. Quando quebram uma vidraça, aí aparecem. Tenho o máximo de respeito e admiração pelos que arriscam a pele em ações desse tipo.

ISTOÉ - Mas não é um caminho semelhante ao do terrorismo? Atos violentos para chamar a atenção?
Dom Tomás - Não. É outra coisa. "A violência é legítima quando a mansidão é vã", diz um ditado, uma dessas grandes obras da humanidade sem autoria conhecida. Diante de governantes surdos, só mesmo uma sacudidela violenta.

ISTOÉ - Quem seriam os candidatos em quem o sr. votaria em 2010?
Dom Tomás - Quero votar em um candidato que reúna condições. Muita gente olha para a figura do Eduardo Suplicy, não por ser do PT, mas por ser ele, até por ter divergido da cúpula do partido, por ser voto vencido. É difícil encontrar outro homem com essa estatura e projeção. Mas para ser candidato é preciso ter outras qualidades além da moral e do amor à pátria, precisa ter possibilidade de comunicação, diálogo. Dificilmente Suplicy seria o candidato do PT, mas ele reuniria muita gente, até de outras agremiações.

ISTOÉ - O sr. pode votar no PSDB?
Dom Tomás - Não vejo essa possibilidade por uma questão ideológica. É um partido elitista, de direita. Se o José Serra conseguisse se libertar das amarras da estrutura, poderia responder melhor às exigências de libertação, um ideal da esquerda. Já o Aécio Neves, eu não acredito que se liberte da direita, por uma opção pessoal e partidária.

ISTOÉ - Caso a idéia de um terceiro mandato para Lula volte à agenda política, o sr. poderia apoiá-la?
Dom Tomás - Lula esgotou-se. Não falo por mim, mas pelas organizações populares que conheço. Não se pensa em manter Lula para mudar, melhorar o País. Vamos viver o pós-Lula brevemente. Como vai ser, eu não sei, mas não há expectativa de nova eleição de Lula. Talvez isso possa ser negociado pelas cúpulas, mas não como força popular. O movimento popular não vê Lula continuando, não quer um terceiro mandato. Isso não quer dizer que queiramos esses outros candidatos que estão aparecendo por aí. Há uma perplexidade geral com relação ao futuro. Ainda não surgiu o estalo.

ISTOÉ - Por que o sr. está tão decepcionado com o governo?
Dom Tomás - Havia a expectativa daqueles anos de caminhadas das organizações populares, que se aglutinaram, criaram um partido, sonharam com a chefia do governo. Hoje o clima é de decepção, desalento, até de paralisia. Eu esperava muito mais de Lula e não sou só eu. Todas as organizações do campo esperavam mais da recuperação do instrumental que é o Incra, na atualização dos critérios e índices de produtividade e do limite da propriedade para fins de desapropriação. Tudo isso favoreceria uma reforma agrária, que tem sido tocada como uma medida compensatória, ou seja, onde há um conflito, o governo vai e desapropria. Isso não é reforma agrária.

ISTOÉ - O sr. tem esperança de que o País mude de rumo?
Dom Tomás - A esperança não morre nunca. Olhando pelas bases do povo, da sociedade, que conserva o vigor do povo latino-americano, vejo que há um potencial, um cabedal de vida, de transformação, que aponta para um futuro diferente. Isso já está presente nos diversos fóruns sociais e nos encontros e assembléias das organizações camponesas. Temos os levantamentos no Equador, na Bolívia, na Venezuela. O povo está muito vivo, apesar de séculos e séculos de dominação da elite, de formação do Estado a serviço da elite, que é o que temos.

ISTOÉ - A única alternativa da América Latina ao capitalismo seria o populismo ou personalismo, como o de Hugo Chávez na Venezuela?
Dom Tomás - Não chamo de populismo, mas de liderança carismática, que Lula também é. Em termos de organização popular, temos mais cabedal do que qualquer país latino-americano. Acho essa mobilização boa, válida, necessária, mas chega um momento em que é preciso haver uma liderança de consenso da maioria. Podem chamar de populismo ou sei lá o quê, mas tem de ser assim. No caso da Venezuela, é o Chávez. Ele tem seus defeitos, mas responde em grande parte a demandas dessas bases populares, contrariando os interesses das elites, que gostariam de vê-lo morto, e do próprio império americano. No caso da Bolívia, essa liderança é o Evo Morales.
"No Pará, o Projeto Paz no Campo, da governadora Ana Júlia Carepa (PT), levou à prisão de 200 lavradores"

ISTOÉ - Por que o sr. é contra a transposição do São Francisco?
Dom Tomás - Pelas mesmas razões de dom Luiz Flávio Cappio (bispo de Barra, na Bahia) e de uma centena de bispos. A transposição é para a elite rica e não vai matar a sede da difusa população nordestina do semi-árido. Vão fazêla para os projetos de exportação de frutas para a Europa, de caranguejos em cativeiro e para a irrigação da cana, além dos grandes centros urbanos. Existe uma alternativa elaborada pela Agência Nacional de Águas, muito mais barata, com recursos locais. É basicamente água de chuva, com o aproveitamento do subsolo e, sobretudo, agenciamento das águas. As águas acumuladas em açudes evaporam sem um serviço de distribuição para quem precisa delas. É três vezes mais barato do que este projeto faraônico que não beneficia a população. Esse negócio de dizer que vai para 12 milhões não é verdade. Vai é para a elite. O outro, mais simples, poderia beneficiar 44 milhões.

ISTOÉ - E por que o governo não optaria por este projeto alternativo?
Dom Tomás - Ele foi abafado pelo próprio governo. No semi-árido brasileiro chove muito mais do que em outros semiáridos. Na Espanha, há uma área semelhante em que o pessoal vive bem porque a água foi racionalizada, com um sistema de atendimento adequado à população. Aqui a cultura é do desperdício de água, mesmo no Nordeste. Quando se fala em retomada do serviço da água, é na mesma linha da indústria da seca, que canaliza o dinheiro para a elite.

ISTOÉ - Exportação e agronegócio não geram empregos para os nordestinos?
Dom Tomás - Todo projeto gera emprego, mas estamos falando de água. Uma coisa é aumentar um bolo para depois, quem sabe, dividi-lo. Outra é levar a água diretamente à população que dela precisa. A água da transposição seria excessivamente cara, bombeada a 300 metros de altura para alimentar três Estados. Seria a água mais cara do mundo.

ISTOÉ - O governo Lula reduziu o conflito no campo?
Dom Tomás - O conflito continua intenso, sobretudo no Norte. No Pará, o resultado do projeto Paz no Campo, da governadora Ana Júlia Carepa (PT), foi a prisão de 200 lavradores em 2007, com violência policial muito forte. Foi um desarmamento dos lavradores pedido pelos fazendeiros, que queriam vacinar seu gado e eram atrapalhados pelas ocupações. O governo pôs a polícia para apoiar os fazendeiros. O lavrador é visto como bandido. Coincidentemente, em uma dessas batidas a polícia encontrou um arsenal de guerra de um fazendeiro. Isso acaba dando em guerra.

ISTOÉ - O governo não diminuiu o índice de mortes nos conflitos?
Dom Tomás - Diminuiu um pouco, mas há uma tensão crescente, sobretudo no Pará, pelo fato de o Incra estar criando assentamentos em terras públicas distantes, insalubres, com malária, em florestas primárias. Isso não é futuro para a reforma agrária, pois acaba beneficiando as madeireiras e contrariando a vida dos ribeirinhos. Interessante é que, em vez de desapropriar áreas próximas aos centros de consumo e escolas, hospitais, o governo faz a reforma agrária no sentido da deportação para longe. É a reforma agrária como deportação. Isso gera tensão e perpetua o trabalho escravo.

ISTOÉ - O agronegócio mecanizado, no mundo todo, é um importante gerador de divisas. No Brasil é diferente?
Dom Tomás - Ele toma a terra que poderia ser da reforma agrária para produzir etanol, para exportar. É um retrocesso, uma volta ao sistema colonial de exportação.

ISTOÉ - Mesmo que o etanol reduza a poluição, o saldo da cultura da cana é negativo?
Dom Tomás - No sentido da terra, é negativa a chamada "energia limpa". A Via Campesina diz que ela é limpa do cano de descarga do carro para fora. Até chegar lá, é tão suja que inclui até trabalho escravo. Retira a terra de quem precisa dela para viver. E agride o meio ambiente transformando a mata em monocultura. O cerrado, que equilibra o planeta e é a caixa-d'água das nossas bacias hidrográficas, está sendo transformado na monocultura de eucalipto, cana, soja ou algodão. O etnol compensa para o mercado do Primeiro Mundo, que está precisando de energia para seus motores, mas de nós ele tira a chance de solucionar nossos problemas. O agronegócio tem um valor importante, mas não pode ser prioridade da política pública para o campo.

Dublagem de Heroes na Record

Acredito que nunca na história deste país, fizeram uma dublagem de um seriado de modo tão nas coxas... Descaracterizou muito todos os personagens, a voz do Hiro é uma vergonha. Até o Hermes e Renato deixaria mais fiel ao original.

Humanismo e o discurso de o Grande Ditador

Estudo a obra de Charles Chaplin há algum tempo. E procurando uma deficinição de humanismo na sua perspectiva, me deparei novamente com o clássico discurso nas cenas finais do filme O Grande Ditador.

Impressionante como ele permanece atual, universal.


Definir humanismo na perspectiva chapliniana é uma tarefa imprecisa, pois o conceito situa-se apenas no campo da moral. Sendo assim, pode assumir variadas nuances. Nesta perspectiva, são abordadas questões importantes porém ausentes na sociedade, como: simplicidade, altruísmo, ética e esperança, o capitalismo leva a sociedade a um consumismo exacerbado e a uma alienação coletiva. Para contornar estas questoes, é preciso torna-los visíveis.

Mudamos a realidade a partir do momento que a problematizamos, tornamos públicas nossas insatisfações e exigimos mudanças.

Detalhe, Hannah por quem Chaplin grita no final é o nome de sua mãe, esta que foi sua grande inspiração por toda a vida.

Discurso Final de O Grande Ditador

Sinto muito, mas não pretendo ser um imperador. Não é esse o meu ofício. Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja. Gostaria de ajudar – se possível – judeus, o gentio... negros... brancos.

Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo – não para o seu infortúnio. Por que havemos de odiar e desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover a todas as nossas necessidades.

O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma dos homens... levantou no mundo as muralhas do ódio... e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.

A aviação e o rádio aproximaram-nos muito mais. A própria natureza dessas coisas é um apelo eloqüente à bondade do homem... um apelo à fraternidade universal... à união de todos nós. Neste mesmo instante a minha voz chega a milhares de pessoas pelo mundo afora... milhões de desesperados, homens, mulheres, criancinhas... vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes. Aos que me podem ouvir eu digo: “Não desespereis! A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia... da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano. Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbem e o poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo. E assim, enquanto morrem homens, a liberdade nunca perecerá.

Soldados! Não vos entregueis a esses brutais... que vos desprezam... que vos escravizam... que arregimentam as vossas vidas... que ditam os vossos atos, as vossas idéias e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como gado humano e que vos utilizam como bucha de canhão! Não sois máquina! Homens é que sois! E com o amor da humanidade em vossas almas! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar... os que não se fazem amar e os inumanos!

Soldados! Não batalheis pela escravidão! Lutai pela liberdade! No décimo sétimo capítulo de São Lucas está escrito que o Reino de Deus está dentro do homem – não de um só homem ou grupo de homens, ms dos homens todos! Está em vós! Vós, o povo, tendes o poder – o poder de criar máquinas. O poder de criar felicidade! Vós, o povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela... de faze-la uma aventura maravilhosa. Portanto – em nome da democracia – usemos desse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo... um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à mocidade e segurança à velhice.

É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder. Mas, só mistificam! Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão! Os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à ventura de todos nós. Soldados, em nome da democracia, unamo-nos!

Hannah, estás me ouvindo? Onde te encontrares, levanta os olhos! Vês, Hannah? O sol vai rompendo as nuvens que se dispersam! Estamos saindo da treva para a luz! Vamos entrando num mundo novo – um mundo melhor, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade. Ergue os olhos, Hannah! A alma do homem ganhou asas e afinal começa a voar. Voa para o arco-íris, para a luz da esperança. Ergue os olhos, Hannah! Ergue os olhos!

A nova propaganda do tse

O TSE pretende conscientizar o eleitor da importância do voto dele, da importância de cada voto, que se soma a outros tantos votos que vão estabelecer qual é a vontade do povo.

Segundo a propaganda: “Você é responsável pelo país que nós somos!” A propaganda até é bem feita, porém com a mensagem aparenta até que somos um país democrata, justo. Parece tanto se não fosse quase, se valendo de Chaplin: “A vida é uma tragédia quando vista de perto, mas uma comédia quando vista de longe”.

Vivemos em uma sociedade que apregoa a liberdade e bloqueia a sua concretização.

Big Brother Brasil...

É... Começou de novo...

Plans

Bloc Party é uma das melhores bandas que surgiram nos últimos tempos, me fez e faz ter orgulho de acreditar que ainda é possível escutar um rock decente, esta música abaixo é sensacional, dentre outras tão sensacionais que esta banda produz...

Bloc Party - Silent Alarm
Plans

Wake up dreamer
It's happening without you
Cut your hair and shave your beard
You squandered your chances
I'll give you a thousand pounds
To show me how you do it
Stop being so laissez-faire
We're all scared of the future

Been training vipers to come for you
In your dreams to release you
Been training vipers to come for you
In your sleep
And the ravens are leaving the tower
And the ravens are leaving the tower
Make your peace
I've got a taste for blood

Leave the weak, leave the young
I've got a taste for blood
I'm walking out without you
You will kill or be killed
It's about progress
I've got a taste for blood

Wake up sleepyhead
It's happening without you
Such a nice guy
You tell me everything twice
Whipcrack speed jump
We will run backwards
Stop being so laissez-faire
We're all scared of the future

We make plans for big times
Get bogged down, distracted
We make plans for good times
All neon, all surface
So kiss me before it all gets complicated
I've got a taste for blood

Tradução
Planos

Acorde sonhadores
tá acontecendo com você
Corte o cabelo e faça a barba
Você desperdiçou suas chances
Vou te dar milhares de armadilhas
Pra que você me mostre como faz isso
Pare de não querer se intrometer
Todos estamos assustados com o futuro

Estive treinando víboras pra vir a você
nos seus sonhos te libertar
Estive treinando víboras pra vir a você
no seu sono
E os corvos estão deixando a torre
E os corvos estão deixando a torre
Faça a sua paz

Eu tenho sede de sangue
Deixe a fraqeuza, deixe o jovem
Eu tenho gosto de sangue
Estou seguindo em frente sem você
Você vai matar ou ser morto
Issó é o progresso
Eu tenho sede de sangue

Acorde dorminhoco
está acontecendo com você
um cara tão bonzinho
você fala tudo duas vezes
Vamos correr pra trás
Pare de não querer se intrometer
Todos estamos assustados com o futuro

Fazemos planos para grandes tempos
Nos afundamos, distraídos
Fazemos planos para bons tempos
Tudo neon, tudo superfície
Então me beije antes que tudo fique complicado
Eu tenho sede de sangue

Nas entrelinhas percebemos como funcionam as estruturas sociais

Sempre tive mania de comprar variados jornais para ler, é interessante, pois apesar de as noticiais serem muitas vezes as mesmas entre os meios de comunicação, com um pouco de atenção, logo você percebe o direcionamento de um discurso para uma determinada posição política ou ideológica.

Continuando com a série notícias absurdas publicadas nos jornais, nesta percebe-se claramente o direcionamento do ensino público voltado exclusivamente para o mercado de trabalho. É nas entrelinhas que você entende como funciona as estruturas de nossa sociedade. Nos discursos laterais e descontextualizados, cria-se um consenso em torno de medidas neo-liberais que visam a questões sobre racionalidade administrativa e corte de gastos, porém, em contrapartida, excluí em qualquer instancia qual é a especificidade da educação superior.

O ensino sob uma sociedade subdesenvolvida como a brasileira tende a ser cada vez mais tecnizante. Se valendo de Paulo Freire, “o aprender não abriga necessariamente o saber”, ao invés de produzir novos conhecimentos, passamos a reproduzir conceitos e teorias escritos por outros, muitas vezes sem a crítica necessária, compramos conhecimento ao invés de produzi-lo. A representação da realidade pode ser direta ou indireta. Os dominantes impõem seus interesses como meio de controle social. A ideologia segundo Marx é uma falsa consciência que impede as pessoas dominadas de perceberem estes interesses. A educação ao contrário do que é apresentado deve-se sobrepor a interesses particulares.

Defender quantidade de formandos de modo isolado é uma visão simplista, não ataca os problemas do ensino superior, foge-se dele, esvaziando a questão de sentido. Acaba que a educação dentro do coletivo é sempre obstacularizada pelas disposições estranhadas do capitalismo. A pouca formação é determinada por muitos fatores. Falta de bolsas, de moradia, dificuldade do curso, não adequação ao curso, necessidade de trabalhar.

Com o tempo, escutando sempre este pretexto de eficiência, muito tempo de formação, estudantes vagabundos, entre outros, a origem se perde, os indivíduos ficam sem referencia de onde surgiu determinado saber, quando não acabam concordando com tais políticas. É a mesma estratégia utilizada nas privatizações das empresas estatais. Devemos sempre questionar as notícias, perguntar como foram construídas. Uma expressão, às vezes aparentemente uma simples palavra, vem sempre carregada de muito significado. Por trás de tudo isto está a política do REUNI defendida pelo governo Lula. Devemos sempre praticar a arte da desconfiança.

Jornal Agora São Paulo 30/12/2007

Cai número de formados nas universidades públicas

Quantidade caiu 9,5% em 2 anos, embora número de alunos tenha aumentado

O número de alunos que entra nas universidades públicas brasileiras cresce desde a década passada. Nos dois últimos anos, porém, a quantidade de estudantes formados nessa rede caiu quase 10%, apontam dados do Ministério da Educação.

O resultado representa uma perda na eficiência nessas instituições, que são financiadas com recursos públicos. Neste ano, somente a rede federal terá R$ 1,7 bilhão para custeio, três vezes mais do que há quatro anos, segundo o MEC.
Pesquisadores afirmam que a queda ocorre devido ao aumento da evasão (estudantes que desistem dos cursos). Outro ponto é o aumento do tempo que os estudantes têm levado para se formar.

São 19.177 estudantes a menos se formaram nas instituições públicas em 2006 do que em 2004 (queda de 9,5%).

A perda de mais de 19 mil alunos representa quase o dobro de vagas oferecidas pela USP no vestibular para 2008.

A atual equipe do ministério da Educação culpa a administração Fernando Henrique Cardoso (1995 – 2002) pela perda de eficiência nas universidades federais do país. Os tucanos rebateram e dizem que o governo federal não faz cobrança sobre as universidades públicas.

Related Posts with Thumbnails
 
©2009 Tempos Modernos | by Júlio César Lourenço