"Ditabranda" Brasil!!!

Agora, a imprensa identifica a ditadura militar brasileira como ditabranda.

*

Algo grave ocorrido na última semana, nos exige alguma atitude coletiva! O jornal "Folha de São Paulo", em editorial de 17/02/09 - Limites a Chávez –, a pretexto de criticar o governo venezuelano, vitorioso em recente referendo, deu forma ao seu editorial, argumentando que a ditadura iniciada no Brasil em 1964 fora uma "ditabranda" em comparação com a Venezuela e Cuba. Obviamente mais uma tentativa de falsear a historia, procurando apresentar como "maleável, branda, suave", a ditadura imposta ao Brasil em 1º de abril de 1964. O resultado frente à tamanha infâmia foi, como não poderia deixar de ser, a indignação geral e a veemente condenação do referido editorial. Entre as cartas enviadas ao "Painel do Leitor", manifestando seu repúdio ao trato editorial, estavam as dos professores Maria Victoria Benevides e Fábio Konder Comparato. Em nova intervenção mediante uma "Nota da Redação", os editores voltam a endossar não apenas o comprometimento com a idéia de que no Brasil houve uma "ditadura branda", como também o fazem ofendendo nominalmente os professores de "cínicos" e "mentirosos" . Nada justificaria tamanha fúria, a não ser o inconfesso reconhecimento dos editores da importância de ambos, sobretudo na incansável luta contra arbitrariedades herdeiras do período desta mesma ditadura que se faz presente na injustiça e violência cotidianas e que, por sua vez, persiste em posições políticas influentes que a pretendem negar ou abrandar, caso exemplar nos editoriais da "Folha de São Paulo".Diante da gravidade do ocorrido, conclamamos nossos amigos e companheiros a assinar a Petição de Indignação e Repúdio ao jornal "Folha de São Paulo" e a manifestar a sua solidariedade aos professores Maria Victoria Benevides e Fábio Konder Comparato.Saudações,Pedro MarinhoApoio ao abaixo-assinado pode ser feito acessando o link:http://www.ipetitio ns.com/petition/ solidariedadeabe nevidesecomparat /index.htmlFavor divulgar!
São Paulo, terça-feira, 17 de fevereiro de 2009



Editoriais Limites a Chávez


Apesar da vitória eleitoral do caudilho venezuelano, oposição ativa e crise do petróleo vão dificultar perpetuação no poder O ROLO compressor do bonapartismo chavista destruiu mais um pilar do sistema de pesos e contrapesos que caracteriza a democracia. Na Venezuela, os governantes, a começar do presidente da República, estão autorizados a concorrer a quantas reeleições seguidas desejarem.Hugo Chávez venceu o referendo de domingo, a segunda tentativa de dinamitar os limites a sua permanência no poder. Como na consulta do final de 2007, a votação de anteontem revelou um país dividido. Desta vez, contudo, a discreta maioria (54,9%) favoreceu o projeto presidencial de aproximar-se do recorde de mando do ditador Fidel Castro.Outra diferença em relação ao referendo de 2007 é que Chávez, agora vitorioso, não está disposto a reapresentar a consulta popular. Agiria desse modo apenas em caso de nova derrota. Tamanha margem de arbítrio para manipular as regras do jogo é típica de regimes autoritários compelidos a satisfazer o público doméstico, e o externo, com certo nível de competição eleitoral.Mas, se as chamadas "ditabrandas" -caso do Brasil entre 1964 e 1985- partiam de uma ruptura institucional e depois preservavam ou instituíam formas controladas de disputa política e acesso à Justiça-, o novo autoritarismo latino-americano, inaugurado por Alberto Fujimori no Peru, faz o caminho inverso. O líder eleito mina as instituições e os controles democráticos por dentro, paulatinamente.Em dez anos de poder, Hugo Chávez submeteu, pouco a pouco, o Legislativo e o Judiciário aos desígnios da Presidência. Fechou o círculo de mando ao impor-se à PDVSA, a gigante estatal do petróleo.A inabilidade inicial da oposição, que em 2002 patrocinou um golpe de Estado fracassado contra Chávez e depois boicotou eleições, abriu caminho para a marcha autoritária; as receitas extraordinárias do petróleo a impulsionaram. Como num populismo de manual, o dinheiro fluiu copiosamente para as ações sociais do presidente, garantindo-lhe a base de sustentação.Nada de novo, porém, foi produzido na economia da Venezuela, tampouco na sua teia de instituições políticas; Chávez apenas a fragilizou ao concentrar poder. A política e a economia naquele país continuam simplórias -e expostas às oscilações cíclicas do preço do petróleo.O parasitismo exercido por Chávez nas finanças do petróleo e do Estado foi tão profundo que a inflação disparou na Venezuela antes mesmo da vertiginosa inversão no preço do combustível. Com a reviravolta na cotação, restam ao governo populista poucos recursos para evitar uma queda sensível e rápida no nível de consumo dos venezuelanos.Nesse contexto, e diante de uma oposição revigorada e ativa, é provável que o conforto de Hugo Chávez diminua bastante daqui para a frente, a despeito da vitória de domingo.

0 comentários:

Related Posts with Thumbnails
 
©2009 Tempos Modernos | by Júlio César Lourenço