Cena 1: A Estrada (Tempos Modernos - 1936)Tempos Modernos parafraseando Cony (1967). “È um exercício de ironia e cinismo, numa sátira universal no tempo e no espaço. A linha cômica é vertiginosa: uma variação de gags, variando no tom e na intenção, completos em si mesmos e, no entanto, ligados uns aos outros numa estrutura que se revela, no epílogo, integra e coesa”.
O epílogo dos filmes de Chaplin tem uma importância especial em seus trabalhos. Todas as cenas de Tempos Modernos têm importância na análise e compreensão da obra como critica ao meio social, entretanto a cena decisiva sintetiza todo o desejo de mudança do cineasta, curiosamente neste filme foram gravadas duas cenas para o epílogo, a que foi as telas é aquela na qual os protagonistas, fugindo da policia, após tentarem se adaptar ao mundo burguês sem obter sucesso, pegam a estrada e caminham por ela sugerindo que é preciso continuar lutando para construir um mundo novo, mais humano, neste epílogo pela primeira vez o vagabundo além de conquistar a garota, ele termina com ela ao seu lado. O outro final seria o infeliz e seguiria o padrão dos filmes de Chaplin, nele sua amada acaba tornando-se freira e o vagabundo termina pegando a estrada solitariamente. Em ambas as cenas o protagonista acaba derrotado, entretanto mantendo a mensagem de necessidade de luta e esperança.
A cena final de Tempos Modernos pode ser comparada com a cena final do filme Metrópolis de Fritz Lang por tomarem rumos opostos. O segundo é uma obra que também discute o tema da modernidade do capital e a luta de classes entre trabalhadores e capitalistas analisando a grande desigualdade de uma para a outra, porém seu epílogo se difere significativamente do primeiro, uma vez que o diretor promoveu um acordo entre os operários e o patronato utilizando-se da figura de um mediador, sem um enfretamento direto das adversidades, ao invés de procurar uma outra alternativa. Este final é relativamente contraditório, pois, por essência, harmonia entre as classes sob um modo de produção capitalista é algo praticamente impossível. Certamente a desigualdade entre as classes não é algo que se resolva com soluções simples, temos a necessidade de agir sobre eles sem partir de um principio de resolução, buscando sempre adquirir mais conhecimento.
No final de Metrópolis, o diretor procurou solucionar a crise do sistema capital de modo contraditório através de uma figura messiânica, a personagem Maria, que se tornou uma mediadora entre a classe trabalhadora e o patronato. Se por um lado a destruição das máquinas seria uma medida que seria contra a evolução da ciência, da técnica e da racionalidade dos meios de produção, por outro a conciliação pura e simples não rompe com os processos de dominação denunciados ao longo da trama. Configura-se uma visão simplista, se esquiva da discussão sobre o desemprego, a precarização do trabalho e da degradação da vida humana.
Perseguidos incasavelmente pela polícia ao longo da narrativa, Carlitos e sua namorada, cansados, sentam em uma calçada, neste momento a garota se desespera, por mais que tente, não conseguem encontrar alternativas para as dificuldades que se colocam perante sua trajetória. Carlitos logo a repreende: “Erga-se, não desista. Vamos conseguir!”
Depois de uma longa conversa, Carlitos e a Garota se recompõem e caminham pela "estrada" (esta que tem um significado especial nos filmes de Chaplin) rumo a um destino desconhecido, em uma mensagem de esperança, de construção de novas realidades, na esperança de romper com as contradições vigentes. Somos homens e não máquinas.
Citação:
CONY, C. H. Charles Caplin. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1967.
Veja a cena no Youtube: http://www.youtube.com/watch?v=SEZON7T9WMU&feature=PlayList&p=ED629F561FDC22BE&index=7
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Acabou pessoal até o próximo especial! Lembrando que este trabalho será apresentado na 1ª JORNADA INTERARTES OUTRAS PALAVRAS dia 28 de Novembro na UEM (Bloco g-34).
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O epílogo dos filmes de Chaplin tem uma importância especial em seus trabalhos. Todas as cenas de Tempos Modernos têm importância na análise e compreensão da obra como critica ao meio social, entretanto a cena decisiva sintetiza todo o desejo de mudança do cineasta, curiosamente neste filme foram gravadas duas cenas para o epílogo, a que foi as telas é aquela na qual os protagonistas, fugindo da policia, após tentarem se adaptar ao mundo burguês sem obter sucesso, pegam a estrada e caminham por ela sugerindo que é preciso continuar lutando para construir um mundo novo, mais humano, neste epílogo pela primeira vez o vagabundo além de conquistar a garota, ele termina com ela ao seu lado. O outro final seria o infeliz e seguiria o padrão dos filmes de Chaplin, nele sua amada acaba tornando-se freira e o vagabundo termina pegando a estrada solitariamente. Em ambas as cenas o protagonista acaba derrotado, entretanto mantendo a mensagem de necessidade de luta e esperança.
A cena final de Tempos Modernos pode ser comparada com a cena final do filme Metrópolis de Fritz Lang por tomarem rumos opostos. O segundo é uma obra que também discute o tema da modernidade do capital e a luta de classes entre trabalhadores e capitalistas analisando a grande desigualdade de uma para a outra, porém seu epílogo se difere significativamente do primeiro, uma vez que o diretor promoveu um acordo entre os operários e o patronato utilizando-se da figura de um mediador, sem um enfretamento direto das adversidades, ao invés de procurar uma outra alternativa. Este final é relativamente contraditório, pois, por essência, harmonia entre as classes sob um modo de produção capitalista é algo praticamente impossível. Certamente a desigualdade entre as classes não é algo que se resolva com soluções simples, temos a necessidade de agir sobre eles sem partir de um principio de resolução, buscando sempre adquirir mais conhecimento.
No final de Metrópolis, o diretor procurou solucionar a crise do sistema capital de modo contraditório através de uma figura messiânica, a personagem Maria, que se tornou uma mediadora entre a classe trabalhadora e o patronato. Se por um lado a destruição das máquinas seria uma medida que seria contra a evolução da ciência, da técnica e da racionalidade dos meios de produção, por outro a conciliação pura e simples não rompe com os processos de dominação denunciados ao longo da trama. Configura-se uma visão simplista, se esquiva da discussão sobre o desemprego, a precarização do trabalho e da degradação da vida humana.
Perseguidos incasavelmente pela polícia ao longo da narrativa, Carlitos e sua namorada, cansados, sentam em uma calçada, neste momento a garota se desespera, por mais que tente, não conseguem encontrar alternativas para as dificuldades que se colocam perante sua trajetória. Carlitos logo a repreende: “Erga-se, não desista. Vamos conseguir!”
Depois de uma longa conversa, Carlitos e a Garota se recompõem e caminham pela "estrada" (esta que tem um significado especial nos filmes de Chaplin) rumo a um destino desconhecido, em uma mensagem de esperança, de construção de novas realidades, na esperança de romper com as contradições vigentes. Somos homens e não máquinas.
Citação:
CONY, C. H. Charles Caplin. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1967.
Veja a cena no Youtube: http://www.youtube.com/watch?v=SEZON7T9WMU&feature=PlayList&p=ED629F561FDC22BE&index=7
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Acabou pessoal até o próximo especial! Lembrando que este trabalho será apresentado na 1ª JORNADA INTERARTES OUTRAS PALAVRAS dia 28 de Novembro na UEM (Bloco g-34).
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Outras cenas
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