27 Dezembro 2009
25 Dezembro 2009
22 Dezembro 2009
O BAILE E A CIDADE
Mas a generalização apressada e simplista significa desqualificar, estigmatizando todo um conjunto de manifestações associado ao lazer, à festa, e à sociabilidade de boa parte da população do Rio de Janeiro.No entanto, também é indiscutível que há um problema de convivência entre o horário e o som poderoso desses bailes em relação as suas vizinhanças, seja dentro ou fora das comunidades. Diariamente, lemos nos jornais cartas de leitores com reclamações quanto à impossibilidade de repouso e sono de milhares de pessoas prejudicadas pelo total desrespeito às normas básicas de convivência. Nos fins de semana isso fica mais evidente. Na sexta-feira, por exemplo, milhares de moradores de Copacabana e Ipanema são obrigados a ouvir em alto volume o som que vem dos morros.
Normalmente, começando por volta das dez horas da noite, isso se prolonga até seis horas da manhã. Parece-me um caso exemplar para buscar formas de diálogo e de aperfeiçoar nossos padrões de cidadania com pretensões à civilidade. É claro que a solução não é uma operação policial com armas pesadas mas passa, necessariamente, pela ação do poder público. Este deveria desempenhar o papel de mediador entre os freqüentadores e patrocinadores dos referidos bailes e os moradores de suas vizinhanças para se chegar a algum tipo de acordo e negociação. Diga-se, de passagem, que o desrespeito à lei do silêncio não é exclusivo dos bailes funk, mas acontece, por exemplo, nos famosos plays de prédios de classe média, embora sem a mesma intensidade e freqüência. Agora mesmo, no período de festas juninas, aceitou-se como normal os estouros de bombas e foguetes por parte de petizes estimulados por seus devotados pais e avós. Existe, assim, um problema geral de falta de civilidade e capacidade de convivência e respeito mútuo dentro de nossa cidade.
Os bailes funk, sem dúvida, como estão transcorrendo hoje, constituem um problema de convivência com vizinhos que simplesmente querem dormir e se recuperar de suas atividades rotineiras. Mas é fundamental que para lidar com essa questão não se retorne a um padrão meramente repressivo e policialesco. Se há crime e violência comprovados, providências têm de ser tomadas pela autoridade policial. O grande avanço seria estabelecer canais de comunicação e de diálogo que permitissem que as diferenças fossem respeitadas sem que fossem agressões de um grupo contra outro.
* Antropólogo
PUBLICADO EM "O GLOBO", 20/07/2009, p. 7.
Conferência pública na qual você não poderia entrar
Ontem o dia já começou conturbado com a organização da conferência impedindo que a sociedade civil organizada participasse se credenciamento, iniciando as inscrições as 7h da manhã, horário este omitido aos cidadãos. Com isso centenas de Cargos de Confiança do prefeito ocuparam a plenaria do auditório Hélio Moreira. Além desta sacanagem, os crachás que diziam ter acabado e que por isso não estavam liberando, foi registrado por mim na mão de uma assessora sendo escondido, depois das inscrições já realizadas.
O prefeito Silvio Barros em um lapso de bom senso, se reuniu com representantes de entidades tentando uma solução para que todos pudessem ser inscritos, mas a organização do secretario Guatassara Boera era tão confusa, que nem o regimento foi apresentado, espantando inclusive o prefeito, segundo quem estava nesta reunião. O secretário depois de muito tempo conseguiu apresentar um regimento produzido sabe-se la quando.
Após conversas a conferência foi transferida para a câmara de vereadores, o que já caracteriza irregularidade, pois os únicos que poderiam fazer tal mudança de local seria a plenária, mas como a conferência ainda não havia sido aberta, essa consulta não foi valida. Já na câmara foi definido as proporções de cada segmento e ainda na parte da manhã aberto a conferência, sendo votado e aprovado pela massiva quantidade de CC's, que o regimento deveria ser lido depois do almoço, dando tempo para o que faltava no documento que até então não fora apresentado a sociedade.
Na parte da tarde a conferência já merecia ser anulada pelo ato de abuso por parte do secretário Guatassara que determinou que quem não tivesse feito inscrição na parte da manhã, não poderia entrar na câmara nem como observador, impedindo o direito de cidadãos entrar em um espaço público em uma conferência pública. O secretário teve o apoio de alguns vereadores que se mostraram indignos de ocuparem tal cargo. O vereador Heine Macieira usou de sua arrogância para mandar cidadãos calarem a boca e impedir que outros adentrassem a casa de leis.
A confusão desta conferência ficou pior quando o secretário Guatassara como já havia anunciado antes começou usar de seu autoritarismo censor para cortar o som de representantes da sociedade em suas falas e impedir que estes chegassem ao microfone. O vereador John chegou a segurar uma das representantes, iniciando uma confusão na qual ele junto com um senhor chamado Figueiredo, agrediu um manifestaste chamado Claudio Timossi além de outras pessoas. O vereador John por diversas vezes ameaçou Timossi dizendo: "Eu vou te pegar!", isso tudo registrado em filme por mim, e por isso talvez quando me aproximei do vereador e perguntei, "vereador, porque você vai pegar ele ?", sua resposta foi um soco na câmera.
Após esta confusão, os representantes de entidades ligadas a UEM, a igreja católica, a sindicatos e ongs, entre outras entidades, se retiraram do local alegando que nada daquilo era valido, devido as enormes irregularidades que o processo apresentou.
Junto com outros 5 agredido protocolamos um boletim de ocorrência contra o vereador John e demais capatazes da burguesia, onde anexaremos junto aos videos de todo o dia, ao processo de anulação desta conferência que deveria ter o propósito maior de definir as diretrizes urbanas da cidade, mas o interesse da administração municipal, assim como de alguns vereadores, mostrou ser o interesse dos grandes empresários de imóveis da cidade, com a necessidade de ampliar os terrenos e elitizar os já existentes.
Confira o vídeo que postei a baixo do B.O., que começa com as imagens da sociedade presa para o lado de fora da câmara e em seguida as imagens da confusão e das agressões do vereador citado.
Veja o Vídeo:
http://www.youtube.com/watch?v=WERWT3aW_BE&feature=player_embedded#
A urina da verdade
Seg, 21 Dez, 01h44Por Regis Tadeu, colunista do Yahoo! Brasil
No vídeo, ela aparece bebendo uma mistura de suco, gelo e urina elaborada pelo baterista, um pateta que parece ter vários cromossomos a menos em seu DNA.
Nem vou discutir se a cena é verídica ou não - isso não importa. O que vale mesmo é a intenção de mostrar qual é o apreço que o artista ou quem quer que tenha uma banda demonstra em relação ao seu fã. Claro que há exceções, mas a grande maioria dos fãs é tratada exatamente como se vê no vídeo: com desprezo, arrogância e imbecilidade.
Filmada e desmoralizada em rede nacional, a garota pagou mais que um papel de trouxa. O que ela mostrou foi simplesmente uma completa falta de respeito para consigo mesma, uma atitude que é muito comum naquele tipo de fã histérica, que suporta ser tripudiada caso isso propicie uma maior proximidade com seu ídolo.
Claro que beber urina é pouco se comparado ao ato de ouvir uma única música dessa "bandeca" do início ao fim. Claro que cada um tem os ídolos que merece. Porém, de forma lamentável, essa garota - que parece não se importar com o que aconteceu, segundo averiguei - deixou claro que elo da corrente que liga uma banda ao seu público não passa de uma maneira de se divertir às custas da imbecilidade alheia. É como se o batera e seus companheiros cúmplices dissessem "é isto que vocês, que vão aos nossos shows e compram o nosso disco, merecem - um copo de mijo bem geladinho".
E outra coisa: parte desse vexame também deve ser creditado ao diretor do tal programa. Ao permitir que tais imagens tenham ido ao ar, ele simplesmente demonstrou o que pensa a respeito do telespectador. Gostaria muito de saber qual seria a atitude do tal diretor se a garota em questão fosse a sua filha ou um parente de algum diretor da emissora...
Sinceramente, alguma coisa precisa ser feita. Caso contrário, teremos no futuro gerações inteiras de idiotas - uma olhada na comunidade da banda do Orkut dá uma boa ideia do que espera os seus filhos daqui a alguns anos. É de estarrecer os mais otimistas. A gente fica com vontade de defender a tese de que certas pessoas deveriam ser impedidas de se reproduzirem.
Tempos atrás, escrevi aqui no Yahoo! um texto que causou certa indignação por parte justamente de uma massa de pessoas pouco pensantes, que não se conformaram em ver sua idolatria ser tratada como tintas racionais. Reproduzo abaixo uma parte desse texto, que cai bem a calhar nesta história toda:
Todo fã é um idiota
Sim, é isso mesmo o que você acabou de ler aí no título deste artigo. Antes de tudo, é preciso deixar claro: fã é todo aquele ser que chora por seu ídolo, que coleciona pastas e pastas com fotos de seu objeto de desejo, que tem seu quarto forrado de pôsteres do alvo de seu fanatismo (palavra que, não à toa, originou o termo "fan" ou "fã", dando uma 'abrasileirada'), que chora na porta de camarim, que passa dias e dias na fila, esperando o momento de entrar no local onde acontecerá o show de seu "amor não correspondido". Ou seja, é o retrato nu e cru, despido de qualquer racionalidade, de um idiota.
Se você é daquelas pessoas que adora o seu ídolo de uma maneira equilibrada, que aprecia o seu trabalho quando o cara manda bem, mas reconhece as pisadas na bola e os vacilos, então você não é um fã, mas sim um admirador. Você simplesmente gosta da banda ou de quem quer que seja. Você não o ama, não chora por ele, não grita, não se desespera quando um pedido de autógrafo é recusado, não pensa em cortar os pulsos quando recebe a notícia que seu "amor" vai se casar com uma outra pessoa que não é você. Você não é um fã. Você não é um imbecil.
E a verdade precisa ser dita, mesmo que ela seja muito dolorida para quem está lendo este artigo neste exato momento: o artista também acha que o seu fã é um idiota.
Ele sabe que esse amor desmedido é uma bobagem, um transtorno hormonal muito comum em adolescentes - embora sejam frequentes os casos de pessoas mais velhas se portando como bobalhões (em caso de dúvida, vá até a porta de um hotel de luxo que esteja hospedando um artista internacional e veja com seus próprios olhos).
O artista quer que você compre o disco dele e vá aos shows, que demonstre explicitamente a sua devoção comprando a camiseta da turnê, a edição especial do CD que está sendo "trabalhado" na turnê, o chaveirinho, o imã de geladeira. Todo artista no fundo, pensa "me ame, me idolatre, compre todas as bugigangas que eu soltar no mercado, mas fique longe de mim". Lamento, mas esta é a pura verdade.
Fonte: http://br.noticias.yahoo.com/s/21122009/48/entretenimento-urina-da.html
*
Visão do Blog:
Olha, eu vi esse programa quando passou, confesso que gosto um pouco da banda, acho suas letras divertas, porém o fato foi realmente repugnante, não há como contestar uma linha do que o Régis Tadeu escreveu, e olha que não gosto de 90% dos textos que ele escreve, a banda vacilou, a produção vacilou em exibir tais cenas. Enfim, realmente um episódio lamentável, que mancha a trajetória da banda.
Se estiver afim de ver o video... clique no link: http://www.youtube.com/watch?v=uBUONjUs_cA
21 Dezembro 2009
Patricinha mentirosa - Mc Ombrinho
Olha o que ela faz
Mente pro pai
Mente pra mãe
Olha o que ela faz
Mente pro pai
Mente pra mãe
Olha o que ela faz
Mente pro pai
Mente pra mãe
Olha o que ela faz
Mente pro pai
Mente pra mãe
Patricinha mentirosa
Patricinha mentirosa
Que gosta de esfrega-esfrega
no baile funk rebola a vera!!!
no baile funk rebola a vera!!!
no baile funk rebola a vera!!!
Olha o que ela faz
Mente pro pai
Mente pra mãe
Olha o que ela faz
Mente pro pai
Mente pra mãe
Olha o que ela faz
Mente pro pai
Mente pra mãe
Olha o que ela faz
Mente pro pai
Mente pra mãe
Patricinha mentirosa
Patricinha mentirosa
Que gosta de esfrega-esfrega
*
Novo hit nacional!!!
Rio de Janeiro foi fodasso!
Voltei!!! A viagem foi muito legal! Visitei vários lugares! Fui num baile funk e pessoal... que medo cara! Mas foi como o pessoal que me levou disse. "É a festa do morro, e para as pessoas do morro, e é a única diversão daquelas pessoas, que nao tem condiçoes de gastar com festas mais elitizadas, e outra, ninguem te chamou ali".Fiz uma grata entrevista com Saulo Pereira de Mello, que me ajudou de forma unica em minha pesquisa, me passando textos e documentos, esclarecendo várias duvidas, me deu uma aula de cinema, enfim... cara foi muito legal mesmo! Pena que foram apenas 4 dias... queria ficar muito mais, entretanto, espero que novas oportunidades não faltem!
16 Dezembro 2009
15 Dezembro 2009
Nomes curiosos registrados em cartório
Documentário - O olhar estrangeiro
Tamanho: 895 MB
Legendas: Português
Download: Via Torrent
Download
* Olhar Estrangeiro foi um dos 10 projetos selecionados entre 200 documentários para o “Brasil Documenta”, a mais importante mostra brasileira de projetos para documentários. Baixem que vale muito a pena!
Especial: 21 fotos de Sebastião Salgado
Eduardo Coutinho
14 Dezembro 2009
Especial: 21 fotos de Sebastião Salgado
13 Dezembro 2009
Frases do Twiiter do Rodrigo Contessoto
Na Band, Cine Privé; na Globo, Mallu Magalhães. Não sei o que é mais adolescente. Quero ter um cabelo estiloso igual do Erasmo quando tiver a idade dele.
Estudando Caio Buarque, Sergio Freyre e Gilberto Prado. Se vc não é historiador, desconsidere essa twittada.
Ganhei uma nova oportunidade de prova graças ao professor compreensivo com as angústias acadêmicas. Ufa!
Qdo o professor tirou a minha prova pq eu tava colando, fiquei com a mesma cara do Chaves qdo descobre q tds vão pra Acapulco, menos ele.
Estou pensando no que eu fiz hoje? Estou. Arrependido? Sim. Isso vai mudar minhas concepções? Talvez.
Usando o MSN depois de semanas. Finalmente atualizei a bagaça. Pra variar, não gostei.
Especial: 21 fotos de Sebastião Salgado
Inocência
12 Dezembro 2009
Matanza - O Último Bar (com fotos engraçadas)
Cordel do Fogo encantado se apresenta em Sorocaba
Completando 10 anos de carreira em 2009, o Cordel do Fogo Encantado volta à Sorocaba para apresentar o CD “Transfiguração”, álbum que rendeu à banda o prêmio de melhor compositor pela Associação Paulista de Críticos de Arte – APCA, para José Paes de Lira. Além do poeta e vocalista Lirinha, o grupo conta também com a força do violão com efeitos eletrônicos de Clayton Barros, a referência rock de Emerson Calado e o peso da levada dos tambores de Rafa Almeida e Nego Henrique, com o apoio de mais dois músicos pernambucanos, trazendo uma nova sonoridade para o grupo. Além do “Transfiguração” o show fará um passeio pelos três álbuns já lançados e trará também músicas inéditas.SESC Sorocaba
Dia(s) 19/12
Sábado, às 20h.
Local: Parque dos Espanhóis. End.: Rua Campos Salles, s/n – Vila Assis. Grátis.
Especial: 21 fotos de Sebastião Salgado
Tema da vitória tocado no violão
11 Dezembro 2009
HU UEM Lotado!
Acabo de receber a noticia de que o Hospital Universitario encontra-se em estado de superlotação. Segundo a administração do HU chega a 60 o número de pacientes que esperam na fila por atendimento, até às 22 horas deste dia.Porem soube tambem que o hospital tem agora 31 leitos para 81 pacientes, segundo relatório do ministério público do municipio e que os funcionarios fecharam as portas do Hospital hoje pela tarde.
A falta de atendimento causado pelo pouco investimento na rede pública do municipio, e a falta de liberação de vagas nos hospitais particulares,( sendo que muitas vezes esses omitem a existencia de liberação de vagas) podem ser apontados como a principal causa da atual situação do HU da UEM, que é uma instituição academica que deve servir a comunidade, atraves do ensino aos estudantes da area da saude e auxilio a rede publicade saude, e não como o tapete onde é varrida a população mais pobre e carente da população do município. Alem disso o governo estadual poderia ampliar a capacidade do Hospital Universitario, ja que a atual administração da prefeitura , parece não ter nenhum interesse em investir na rede municipal.
Resto do Post
10 Dezembro 2009
10 de Dezembro - Dia Nacional dos Sociólogos
Apesar dos esforços temos encontrado dificuldades para o reconhecimento de nossa profissão. Dentro do nosso meio, quando aqueles que se auto-intitulam “intelectuais” defendem que discorrer sobre a sociedade cabe a todos e que somente eles se diferenciam, pois arrogam possuírem o poder da abstração. Na sociedade carregamos os estigma de revolucionários e subversivos e que só ficamos apontando os erros e não as soluções dos maiores problemas que afligem a sociedade. Precisamos mudar esse paradigma e neste dia 10 DE DEZEMBRO, dia nacional dos sociólogos, mostrar para todos que sim, nós podemos (yes, we can)...ampliando nosso mercado de trabalho, auxiliar na transformação da sociedade na busca por um mundo melhor...Especial: 21 fotos de Sebastião Salgado
Flávia Alessandra - Playboy - Dezembro 2009
Poster da 6º Temporada de LOST
Frases densas filosóficas críticas de Homer Simpson
09 Dezembro 2009
Ouça a primeira canção do novo disco dos Smashing Pumpkins
“Essa canção tem algo a ver sobre eu não ter nenhum filho e pensar sobre o motivo de não tê-los. E também tem algo a ver com minha relação com meu pai. Não planejei escrever isso. Apenas me ocorreu”, disse Billy Corgan, que compôs a canção."
Morre ex-deputado estadual e apresentador Luiz Carlos Alborghetti
Famoso pelo estilo espalhafatoso e pela retórica dura, o apresentador de TV e radialista Luiz Carlos Alborghetti, 64, morreu nesta quarta-feira (9), informou seu blog na internet. Ex-deputado estadual no Paraná pelo PFL, hoje DEM, ele lutava contra um câncer de pulmão e faleceu em sua casa, em Curitiba."Luiz Carlos Alborghetti faleceu nesta quarta-feira, 9 de dezembro de 2009, por volta das 15h, em sua própria casa. Como sabíamos, ele estava internado em seu quarto, que tinha uma unidade móvel de UTI instalada", diz o texto no seu site. "Infelizmente, não é brincadeira. Quem dera fosse."
O presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, Nelson Justus, anunciou a morte de Alborghetti, nascido em Andradina, interior de São Paulo. O apresentador, que iniciou a carreira em 1976 em Londrina, interior paranaenese, desagradava defensores dos direitos humanos e era admirado por policiais.
Alborghetti foi eleito deputado estadual pela primeira vez em 1986 e quatro anos depois renovou seu mandato. Pausou as atividades de parlamentar para se dedicar à televisão, mas voltou à Assembleia Legislativa em 1994. Reeleito em 1998, tentou novo mandato em 2002, mas fracassou. Nos últimos anos fez transmissões por rádio e pela internet.
No mês passado o filho de Alborghetti, Marcio, foi acusado de espancar a mulher e tentar agredir seu filho. Foi também em novembro que se acelerou o processo de metástase do câncer que, segundo seu site, teria tirado seu ânimo.
"Não conseguia mais andar, nem falar. Também já não comia. Não pôde mais combater a doença e hoje levamos essa facada no coração", diz o site.
Alborghetti criou várias frases que viraram bordão entre os defensores de políticas de segurança duras e nem sempre condizentes com o respeito à lei: "Não tem que construir mais cadeias! Tem que construir mais cemitérios!"; "Tá com pena dele? Leva pra tua casa! Põe pra dormir na tua cama!" e "Foi pro colo do capeta!" são algumas delas.
Tido como um dos fundadores do estilo policialesco que dominou a TV brasileira no início da década passada, Alborghetti ganhou grande projeção com o programa "Cadeia Nacional", transmitido pela CNT. Ali teve como repórter Carlos Massa, o "Ratinho", que mais tarde seria seu mais famoso sucessor.
"Aprendi muito com o Alborghetti, o seu estilo é diferenciado", disse Ratinho em um Bate-Papo no UOL em julho. "Só que hoje este estilo não daria o mesmo resultado da época. Tem tanta notícia ruim que as pessoas estão cansadas, o público em geral está enjoando de notícia, exatamente por isso que saí um pouco disso."
Fonte: UOL - http://noticias.uol.com.br/politica/2009/12/09/ult5773u3294.jhtm
Especial: 21 fotos de Sebastião Salgado
Homem Aranha Fail
Ana Maria Kalinque na praia II
A Terceira Margem do Rio - Guimarães Rosa
Nosso pai era homem cumpridor, ordeiro, positivo; e sido assim desde mocinho e menino, pelo que testemunharam as diversas sensatas pessoas, quando indaguei a informação. Do que eu mesmo me alembro, ele não figurava mais estúrdio nem mais triste do que os outros, conhecidos nossos. Só quieto. Nossa mãe era quem regia, e que ralhava no diário com a gente — minha irmã, meu irmão e eu. Mas se deu que, certo dia, nosso pai mandou fazer para si uma canoa.Sem alegria nem cuidado, nosso pai encalcou o chapéu e decidiu um adeus para a gente. Nem falou outras palavras, não pegou matula e trouxa, não fez a alguma recomendação. Nossa mãe, a gente achou que ela ia esbravejar, mas persistiu somente alva de pálida, mascou o beiço e bramou: — "Cê vai, ocê fique, você nunca volte!" Nosso pai suspendeu a resposta. Espiou manso para mim, me acenando de vir também, por uns passos. Temi a ira de nossa mãe, mas obedeci, de vez de jeito. O rumo daquilo me animava, chega que um propósito perguntei: — "Pai, o senhor me leva junto, nessa sua canoa?" Ele só retornou o olhar em mim, e me botou a bênção, com gesto me mandando para trás. Fiz que vim, mas ainda virei, na grota do mato, para saber. Nosso pai entrou na canoa e desamarrou, pelo remar. E a canoa saiu se indo — a sombra dela por igual, feito um jacaré, comprida longa.
Nosso pai não voltou. Ele não tinha ido a nenhuma parte. Só executava a invenção de se permanecer naqueles espaços do rio, de meio a meio, sempre dentro da canoa, para dela não saltar, nunca mais. A estranheza dessa verdade deu para. estarrecer de todo a gente. Aquilo que não havia, acontecia. Os parentes, vizinhos e conhecidos nossos, se reuniram, tomaram juntamente conselho.
Nossa mãe, vergonhosa, se portou com muita cordura; por isso, todos pensaram de nosso pai a razão em que não queriam falar: doideira. Só uns achavam o entanto de poder também ser pagamento de promessa; ou que, nosso pai, quem sabe, por escrúpulo de estar com alguma feia doença, que seja, a lepra, se desertava para outra sina de existir, perto e longe de sua família dele. As vozes das notícias se dando pelas certas pessoas — passadores, moradores das beiras, até do afastado da outra banda — descrevendo que nosso pai nunca se surgia a tomar terra, em ponto nem canto, de dia nem de noite, da forma como cursava no rio, solto solitariamente. Então, pois, nossa mãe e os aparentados nossos, assentaram: que o mantimento que tivesse, ocultado na canoa, se gastava; e, ele, ou desembarcava e viajava s'embora, para jamais, o que ao menos se condizia mais correto, ou se arrependia, por uma vez, para casa.
No que num engano. Eu mesmo cumpria de trazer para ele, cada dia, um tanto de comida furtada: a idéia que senti, logo na primeira noite, quando o pessoal nosso experimentou de acender fogueiras em beirada do rio, enquanto que, no alumiado delas, se rezava e se chamava. Depois, no seguinte, apareci, com rapadura, broa de pão, cacho de bananas. Enxerguei nosso pai, no enfim de uma hora, tão custosa para sobrevir: só assim, ele no ao-longe, sentado no fundo da canoa, suspendida no liso do rio. Me viu, não remou para cá, não fez sinal. Mostrei o de comer, depositei num oco de pedra do barranco, a salvo de bicho mexer e a seco de chuva e orvalho. Isso, que fiz, e refiz, sempre, tempos a fora. Surpresa que mais tarde tive: que nossa mãe sabia desse meu encargo, só se encobrindo de não saber; ela mesma deixava, facilitado, sobra de coisas, para o meu conseguir. Nossa mãe muito não se demonstrava.
Mandou vir o tio nosso, irmão dela, para auxiliar na fazenda e nos negócios. Mandou vir o mestre, para nós, os meninos. Incumbiu ao padre que um dia se revestisse, em praia de margem, para esconjurar e clamar a nosso pai o 'dever de desistir da tristonha teima. De outra, por arranjo dela, para medo, vieram os dois soldados. Tudo o que não valeu de nada. Nosso pai passava ao largo, avistado ou diluso, cruzando na canoa, sem deixar ninguém se chegar à pega ou à fala. Mesmo quando foi, não faz muito, dos homens do jornal, que trouxeram a lancha e tencionavam tirar retrato dele, não venceram: nosso pai se desaparecia para a outra banda, aproava a canoa no brejão, de léguas, que há, por entre juncos e mato, e só ele conhecesse, a palmos, a escuridão, daquele.
A gente teve de se acostumar com aquilo. Às penas, que, com aquilo, a gente mesmo nunca se acostumou, em si, na verdade. Tiro por mim, que, no que queria, e no que não queria, só com nosso pai me achava: assunto que jogava para trás meus pensamentos. O severo que era, de não se entender, de maneira nenhuma, como ele agüentava. De dia e de noite, com sol ou aguaceiros, calor, sereno, e nas friagens terríveis de meio-do-ano, sem arrumo, só com o chapéu velho na cabeça, por todas as semanas, e meses, e os anos — sem fazer conta do se-ir do viver. Não pojava em nenhuma das duas beiras, nem nas ilhas e croas do rio, não pisou mais em chão nem capim. Por certo, ao menos, que, para dormir seu tanto, ele fizesse amarração da canoa, em alguma ponta-de-ilha, no esconso. Mas não armava um foguinho em praia, nem dispunha de sua luz feita, nunca mais riscou um fósforo. O que consumia de comer, era só um quase; mesmo do que a gente depositava, no entre as raízes da gameleira, ou na lapinha de pedra do barranco, ele recolhia pouco, nem o bastável. Não adoecia? E a constante força dos braços, para ter tento na canoa, resistido, mesmo na demasia das enchentes, no subimento, aí quando no lanço da correnteza enorme do rio tudo rola o perigoso, aqueles corpos de bichos mortos e paus-de-árvore descendo — de espanto de esbarro. E nunca falou mais palavra, com pessoa alguma. Nós, também, não falávamos mais nele. Só se pensava. Não, de nosso pai não se podia ter esquecimento; e, se, por um pouco, a gente fazia que esquecia, era só para se despertar de novo, de repente, com a memória, no passo de outros sobressaltos.
Minha irmã se casou; nossa mãe não quis festa. A gente imaginava nele, quando se comia uma comida mais gostosa; assim como, no gasalhado da noite, no desamparo dessas noites de muita chuva, fria, forte, nosso pai só com a mão e uma cabaça para ir esvaziando a canoa da água do temporal. Às vezes, algum conhecido nosso achava que eu ia ficando mais parecido com nosso pai. Mas eu sabia que ele agora virara cabeludo, barbudo, de unhas grandes, mal e magro, ficado preto de sol e dos pêlos, com o aspecto de bicho, conforme quase nu, mesmo dispondo das peças de roupas que a gente de tempos em tempos fornecia.
Nem queria saber de nós; não tinha afeto? Mas, por afeto mesmo, de respeito, sempre que às vezes me louvavam, por causa de algum meu bom procedimento, eu falava: — "Foi pai que um dia me ensinou a fazer assim..."; o que não era o certo, exato; mas, que era mentira por verdade. Sendo que, se ele não se lembrava mais, nem queria saber da gente, por que, então, não subia ou descia o rio, para outras paragens, longe, no não-encontrável? Só ele soubesse. Mas minha irmã teve menino, ela mesma entestou que queria mostrar para ele o neto. Viemos, todos, no barranco, foi num dia bonito, minha irmã de vestido branco, que tinha sido o do casamento, ela erguia nos braços a criancinha, o marido dela segurou, para defender os dois, o guarda-sol. A gente chamou, esperou. Nosso pai não apareceu. Minha irmã chorou, nós todos aí choramos, abraçados.
Minha irmã se mudou, com o marido, para longe daqui. Meu irmão resolveu e se foi, para uma cidade. Os tempos mudavam, no devagar depressa dos tempos. Nossa mãe terminou indo também, de uma vez, residir com minha irmã, ela estava envelhecida. Eu fiquei aqui, de resto. Eu nunca podia querer me casar. Eu permaneci, com as bagagens da vida. Nosso pai carecia de mim, eu sei — na vagação, no rio no ermo — sem dar razão de seu feito. Seja que, quando eu quis mesmo saber, e firme indaguei, me diz-que-disseram: que constava que nosso pai, alguma vez, tivesse revelado a explicação, ao homem que para ele aprontara a canoa. Mas, agora, esse homem já tinha morrido, ninguém soubesse, fizesse recordação, de nada mais. Só as falsas conversas, sem senso, como por ocasião, no começo, na vinda das primeiras cheias do rio, com chuvas que não estiavam, todos temeram o fim-do-mundo, diziam: que nosso pai fosse o avisado que nem Noé, que, por tanto, a canoa ele tinha antecipado; pois agora me entrelembro. Meu pai, eu não podia malsinar. E apontavam já em mim uns primeiros cabelos brancos.
Sou homem de tristes palavras. De que era que eu tinha tanta, tanta culpa? Se o meu pai, sempre fazendo ausência: e o rio-rio-rio, o rio — pondo perpétuo. Eu sofria já o começo de velhice — esta vida era só o demoramento. Eu mesmo tinha achaques, ânsias, cá de baixo, cansaços, perrenguice de reumatismo. E ele? Por quê? Devia de padecer demais. De tão idoso, não ia, mais dia menos dia, fraquejar do vigor, deixar que a canoa emborcasse, ou que bubuiasse sem pulso, na levada do rio, para se despenhar horas abaixo, em tororoma e no tombo da cachoeira, brava, com o fervimento e morte. Apertava o coração. Ele estava lá, sem a minha tranqüilidade. Sou o culpado do que nem sei, de dor em aberto, no meu foro. Soubesse — se as coisas fossem outras. E fui tomando idéia.
Sem fazer véspera. Sou doido? Não. Na nossa casa, a palavra doido não se falava, nunca mais se falou, os anos todos, não se condenava ninguém de doido. Ninguém é doido. Ou, então, todos. Só fiz, que fui lá. Com um lenço, para o aceno ser mais. Eu estava muito no meu sentido. Esperei. Ao por fim, ele apareceu, aí e lá, o vulto. Estava ali, sentado à popa. Estava ali, de grito. Chamei, umas quantas vezes. E falei, o que me urgia, jurado e declarado, tive que reforçar a voz: — "Pai, o senhor está velho, já fez o seu tanto... Agora, o senhor vem, não carece mais... O senhor vem, e eu, agora mesmo, quando que seja, a ambas vontades, eu tomo o seu lugar, do senhor, na canoa!..." E, assim dizendo, meu coração bateu no compasso do mais certo.
Ele me escutou. Ficou em pé. Manejou remo n'água, proava para cá, concordado. E eu tremi, profundo, de repente: porque, antes, ele tinha levantado o braço e feito um saudar de gesto — o primeiro, depois de tamanhos anos decorridos! E eu não podia... Por pavor, arrepiados os cabelos, corri, fugi, me tirei de lá, num procedimento desatinado. Porquanto que ele me pareceu vir: da parte de além. E estou pedindo, pedindo, pedindo um perdão.
Sofri o grave frio dos medos, adoeci. Sei que ninguém soube mais dele. Sou homem, depois desse falimento? Sou o que não foi, o que vai ficar calado. Sei que agora é tarde, e temo abreviar com a vida, nos rasos do mundo. Mas, então, ao menos, que, no artigo da morte, peguem em mim, e me depositem também numa canoinha de nada, nessa água que não pára, de longas beiras: e, eu, rio abaixo, rio a fora, rio a dentro — o rio.
Texto extraído do livro "Primeiras Estórias", Editora Nova Fronteira - Rio de Janeiro, 1988, pág. 32, cuja compra e leitura recomendamos.
Enviado por ₪₪₪PriscilA₪₪₪
08 Dezembro 2009
Rio de Janeiro
Galera! Hoje fiquei sabendo que passou meu requerimento para fazer pesquisa de campo no Rio de Janeiro! Onde foi fundado o Chaplin Club, o cineclube que é tema de minha dissertação de mestrado. Ficarei quatro dias na cidade (vou dia 16/12) e pesquisarei, de dia, textos e documentos na cinemateca do Museu de Arte Moderna, no Arquivo Mario Peixoto e se possível na Biblioteca Nacional e a noite vou conhecer a vida noturna da cidade.... Two plac two plin, mermao, ulálá, tá loko!!!Especial: 21 fotos de Sebastião Salgado
The Mission - Butterfly On A Wheel
A ação dos cineclubes e das cinematecas na América Latina para o desenvolvimento da cultura cinematográfica
O desenvolvimento do comércio cinematográfico, que nasceu com o cinema, provocou a aparição de revistas endereçadas aos “fans” (diferente de outras que representassem um interesse crítico, cultural ou técnico), tais como, entre outras, em 1913, “O cinema” – que teve uma breve existência -; em 1927, “Teatro e Cinema”; em 1918, “Palcos e Telas”; em 1921, “A Scena Muda”; e em 1926 “Cinearte”, que deu valor ao cinema nacional, sem falar de revistas mundanas que dedicavam um lugar importante ao cinema.Se procuramos as origens da cultura cinematográfica brasileira, nós devemos partir das atividades do antropólogo e educador Edgar Roquete Pinto que, em 1920, como Diretor do Museu Nacional começa a constituir um fundo de filmes de interesses científicos. Dois anos mais tarde, Roquete Pinto realiza filmes de antropologia Seu grande mérito se traduz pelo desenvolvimento e a aplicação dos meios audiovisuais na educação, e seu trabalho neste domínio foi coroado em 1936 pela criação do Instituto Nacional de Cinema Educativo (INCE).
Em 1917 nós encontramos um grupo de jovens que querendo fazer cinema como atores e técnicos, se reuniam para ver filmes, comentá-los e debatê-los a propósito do cinema brasileiro. Estas reuniões orientaram a carreira de alguns homens, entre os quais Pedro Lima, que é hoje crítico, e Adhemar Gonzaga, que cumpriu um papel na produção nacional e que é sempre profissional e historiador de cinema.
* * *
O termo “cineclube” foi utilizado pelo clube de jogos de Jayme Redondo, em 1925. As projeções eram um meio de atrair os jogadores. O resultado desta aventura foi a produção de dois filmes pelo Cineclube.
O início real da cultura cinematográfica brasileira data de 1928, quando alguns jovens, tentando escapar da mentalidade provinciana da época, seguindo o pequeno movimento intelectual e descobrindo a arte cinematográfica. Estes são Octavio de Faria, Plínio Sussekind Rocha, Almir Castro e Cláudio Nello, que em junho do mesmo ano fundam o “Chaplin Club”. Esta associação prolongara suas atividades até a afirmação do cinema sonoro e participará da polêmica contra o som. Este novo cinema privava o grupo da arte que eles amavam. O “Chaplin Club” lança uma revista “O Fan”, seu órgão oficial - que nutriu críticas e ensaios de valor intelectual - vivo por dois anos e com nove números publicados. Este movimento do Rio de janeiro deu à crítica cinematográfica um tom sério que será um exemplo a se seguir.
Aparecem os primeiros livros escritos por autores brasileiros: “Gente de Cinema”, em 1929, uma coletânea de críticas de Guilherme de Almeida e, enfim, “Cinema contra cinema”, em 1931, estudo sociológico de Canuto Mendes de Almeida.
Em 1940, é criado o primeiro “Clube de Cinema de São Paulo”, com a participação de intelectuais, alunos e professores ligados a Faculdade de Filosofia, entre os quais Paulo Emilio Sales Gomes, que estimula e conduz o movimento. No ano seguinte, após algumas projeções públicas, o cineclube desaparece em função de dificuldades provocadas pela ditadura de Vargas; sobrevive entretanto o grupo, que realiza algumas projeções em casas privadas e que participam da revista cultural “Clima”.
Cinco anos mais tarde, imediatamente ao final da Guerra, o interesse pela arte cinematográfica é uma realidade que se manifesta na criação do novo “Clube de Cinema de São Paulo”. Este, sob a presidência do crítico Francisco Luiz de Almeida Salles, se tornará a “Filmoteca do Museu de Arte de São Paulo” [1], atualmente “Cinemateca Brasileira”. O clube começa suas projeções em salas improvisadas, e se instala no museu, após tornar-se a “Filmoteca”.
Ao mesmo tempo sob a influência de Plínio Sussekind Rocha, professor universitário, é fundado o “Clube de Cinema da Faculdade Nacional de Filosofia”, no Rio de Janeiro, que começa uma coleção de alguns clássicos russos encontrados em Belo Horizonte e uma pequena quantidade de outras películas. Também no Rio, os críticos constituem a “Associação Brasileira de Cronistas Cinematográficos”.
Em 1948, o “Circulo de Estudos Cinematográficos” é criado no Rio de Janeiro pelos críticos Alex Viany, Antonio Moniz Viana e Luiz Alípio de Barros. Assim começa a descentralização do movimento cinematográfico com a aparição dos clubes: o “Clube de Cinema de Porto Alegre”, que cria um ambiente fecundo no Sul; ao norte, o “Clube de Cinema de Fortaleza” e perto de São Paulo, o “Clube de Cinema de Santos”. Nos anos seguintes, o clima favorável à aparição de novas organizações se prolonga: o “Centro de Estudos Cinematográficos de Minas Gerais” sob a orientação de Jacques do Prado Brandão, Cyro Siqueira e de outros, teve uma importância nacional graças à vitalidade de suas manifestações, à formação constante de críticos locais, e à publicação da “Revista de Cinema”, que se manterá de 1954 a 1957, cessando um pouco para reaparecer em 1961; o “Museu de Arte de São Paulo” convida Alberto Cavalcanti a fazer uma série de conferências, o que permitiu a Ruggero Jacobbi, Adolfo Celi e Carlos Ortiz a criarem o “Seminário de Cinema do Museu de Arte”, que se manteve muito ativo até a sua transformação em escola de cinema, de onde saíram dois documentários sobre arte; o Centro de Estudos Cinematográficos de São Paulo realizou o primeiro congresso de cineclubes, do qual o único resultado foi colocar em contato os principais animadores. O “Cineclube da Bahia”, sob a orientação de Walter da Silveira é uma das organizações mais bem sucedidas, e que permitiu a formação de uma atmosfera ativa em Salvador; finalmente, o “Clube de Cinema Orson Welles” em São Paulo, o “Clube de Cinema de Florianópolis”, e o “Clube de Cinema do Rio de Janeiro” e muitos outros que surgiram mais tarde nas capitais e no interior dos estados mais avançados, constituem a malha brasileira de cineclubes ativos, que não devem passar de uma vintena, sem contar o movimento católico. A falta de material humano impede o crescimento do número de cineclubes.
A idéia de uma federação para ajudar o desenvolvimento dos cineclubes surgiu publicamente no congresso de 1950, mas ela não se concretizou antes de 1956, sob a forma do “Centro de Cineclubes do Estado de São Paulo” por iniciativa de Carlos Vieira. Este órgão, que rendia serviços aos cineclubes do Estado de São Paulo, estendeu suas atividades para o plano nacional sob o nome de “Centro de Cineclubes” e, mesmo após a adesão dos cineclubes das cidades importantes, o número de seus membros não ultrapassava os 10, o que mostra a fragilidade do cineclubismo brasileiro. Este número agora passou da dezena, mas as distâncias, a falta de recursos e de quadros para exercer uma atividade no plano nacional, reduzem as possibilidades do “Centro de Cineclubes”. Sua obra mais completa e mais útil são os congressos de cineclubes, “Jornadas de Cineclubes” realizadas em São Paulo em 1959, em Belo Horizonte em 1960 e no Rio de Janeiro em 1961. Estes encontros entre os animadores e as personalidades da cultura cinematográfica têm tornado possível a troca de idéias, o espírito de união e têm estimulado o trabalho.
A dificuldade de alugar locais nas grandes cidades, notadamente em São Paulo e no Rio, o interesse das rodas de estudantes, do movimento católico, que emprega organizações já constituídas para sua ação, e também o fraco nível cultural do país, empurram os cineclubes para se multiplicarem sobretudo nos centros de ensino. Raros são os cineclubes de São Paulo e Rio atualmente destacados dos Liceus ou das Universidades.
* * *
O interesse por filmes clássicos, pela história da arte cinematográfica afirmou-se pelo advento do “Clube de Cinema de São Paulo”, e por outro lado pelo conhecimento dos problemas práticos e teóricos concernentes a difusão de filmes históricos adquiridos por Paulo Emilio Sales Gomes – que manteve em Paris aproximações constantes com a Cinemateca Francesa e com a FIAF, em um espírito de estreita colaboração – criando as circunstâncias propícias para a fundação de uma cinemateca. O “Clube de Cinema de São Paulo” é criado em 1946, e como “Filmoteca de São Paulo” é aceita no ano seguinte como membro provisório da FIAF. Em 1949, a Filmoteca se junta ao recente Museu de Arte Moderna, e se transforma na Filmoteca do Museu de Arte Moderna se São Paulo, dissolvida em 1956 para tornar-se Cinemateca Brasileira. Esta última transformação que destacou a “Cinemateca” do “Museu” foi decidida quando seus dirigentes se deram conta de que o desenvolvimento de uma cinemateca no Brasil seria muito caro e só poderia ser financiado pelos poderes públicos. Era impensável que ela dependesse de contribuições de membros ou de outro organismo, como era o caso do Museu de Arte Moderna que tinha seus próprios problemas. A história da Cinemateca Brasileira mostra bem que a execução de seu programa esta subordinada aos esforços redobrados para obter os recursos que permitiriam a preservação de uma coleção importante, e uma difusão em medida suficiente para contribuir para o progresso cultural brasileiro.
Esta situação levou a Cinemateca Brasileira a seguir duas direções precisas: formar indivíduos e grupos com verdadeira capacidade, e promover manifestações amplas e especializadas suscetíveis de atender aos meios mais diversificados para fazer propaganda da arte e da cultura cinematográfica. Assim, a Cinemateca Brasileira adquiriu um prestígio considerável a partir deste momento, quando em 1954 ela se ocupou de manifestações culturais como o “Primeiro Festival Internacional de Cinema no Brasil”, organizando “Os grandes momentos do cinema”, a “Retrospectiva do Cinema Brasileiro”, a “Retrospectiva Eric Von Strohein”, a “Retrospectiva Internacional de Cinema”, enfim, uma série de projeções programadas ao longo deste ano seguindo um ritmo e uma qualidade de primeira ordem. Graças às possibilidades materiais obtidas por meio do Festival e pela ação pessoal de Sales Gomes que, a partir desta data, torna-se diretor da “Cinemateca”, nós pudemos começar a constituir os fundos da cinemateca. Os festivais realizados pelas Bienais de São Paulo continuaram o ritmo inaugurado em 1954, aos quais se juntavam de 1949 a 1956, as projeções regulares, três vezes por semana. A intensidade dos trabalhos desta organização é a razão provável da quase inexistência de cineclubes em São Paulo. Tomando consciência que esta centralização abafava o nascimento de correntes e novos grupos, a “Cinemateca” relegou a um plano secundário suas projeções, para oferecer sua colaboração para as outras instituições e apoiar as diversas iniciativas culturais cinematográficas do país. A partir de 1950, a “Cinemateca” começou a fornecer filmes aos cineclubes. Em 1955, esta difusão se normalizou e hoje em dia ela cede gratuitamente seus filmes a organizações de mais de trinta cidades espalhadas em quatorze estados brasileiros.
A tendência da Cinemateca encampar os mais variados domínios não vem de uma simples deliberação, mas das circunstâncias culturais do país; a Cinemateca se vê obrigada a preencher as lacunas e fazer o cinema servir ao desenvolvimento geral. Assim, ela organiza ou toma parte de cursos, dentre os quais é preciso ressaltar o que se endereçou aos animadores de cineclubes, colabora com o corpo discente da Universidade; ela está para inaugurar um novo departamento consagrado ao cinema para a infância e, enfim, ela presta serviços aos órgãos oficiais e privados os mais variados que se ocupam do cinema cultural, seja para os desenvolver, seja para os servir. É para estender e aprofundar este trabalho social que a Cinemateca solicita as subvenções dos poderes públicos.
Em 1957, a Cinemateca foi submetida às conseqüências de um rápido desenvolvimento sem os meios correspondentes: um incêndio destruiu sua sede e uma grande parte de seus arquivos.
A Cinemateca Brasileira possui atualmente uma coleção de filmes que se eleva a 2.200 bobinas de atualidades e 2.500 filmes de ficção. Sua documentação compreende 1.300 livros, 4.000 revistas, 36.000 fotografias, 12.000 programas, cartazes e documentos diversos; esta documentação esta registrada em 16.000 fichas.
Em 1957, após dois anos de projeções inicialmente mensais, depois bimensais, o “Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro” transforma seu departamento de cinema em “Cinemateca”, sob a responsabilidade de Antonio Moniz Vianna e Ruy Pereira da Silva. Sua atividade se limita a apresentar com sucesso filmes clássicos e modernos, a pré-estreias e a editar boletins. A Cinemateca do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, desde seu início, partilhou o problema do Museu: a construção de uma sede de grandes dimensões preenchendo todas as condições requeridas para um museu moderno. Esta obra monumental, empreendida pelos participantes, exige da parte de todos os departamentos uma grande propaganda para a obter fundos. Isto caracteriza os primeiros anos da “Cinemateca”, que foi conduzida a montar importantes festivais anuais: em 1958, “História do cinema americano” e nos anos seguintes “História do cinema francês” e “História do cinema italiano”, estes dois últimos com a colaboração da Cinemateca Brasileira que os apresentou em São Paulo. Estas manifestações foram possíveis graças ao apóio do Museu de Arte Moderna de Nova Iorque, das Cinematecas Francesa e Italiana e tiveram um sucesso notável devido à quantidade de obras apresentadas e à grande publicidade feita em São Paulo e no Rio.
É preciso sublinhar esta consagrada ao cinema francês que composta por mais de 200 filmes cobrindo todos os períodos, foi o maior ciclo do gênero realizado fora da França. Os festivais foram acompanhados de publicações de mais de cem páginas.
A Cinemateca do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro jamais parou de apresentar seus programas regularmente e na espera de seu auditório e de sua sede definitiva no Museu, ela começou a constituir um arquivo de filmes e uma documentação. Suas atividades culturais se limitam à cidade do Rio de Janeiro, mas suas repercussões tem contribuído para dar prestígio à cultura cinematográfica, porque todos os países seguem com atenção a vida artística do Rio. Este organismo conjuga seus esforços com os da Cinemateca Brasileira.
* * *
A preocupação dos católicos diante do espetáculo cinematográfico data de 1936, quando a “Ação Católica Brasileira” criou no Rio de Janeiro seu serviço de informações cinematográficas para determinar a cota moral dos filmes, isto é, para aconselhar os espectadores e os orientar para os espetáculos que respeitavam os princípios católicos. No ano seguinte, São Paulo seguiu este exemplo criando sua “Orientação Moral dos Espetáculos”. A “Ação” foi a primeira instituição católica a executar um trabalho “cultural” cinematográfico, oferecendo cursos em 1951 no Rio.
Em 1952, André Russkowski e Fernand Gadieu chegam ao Brasil e orientam algumas pessoas em suas atividades cinematográficas, que tem por resultado a abertura de um curso de iniciação cinematográfica em colégios católicos, sendo logo de princípio no “Colégio dos Pássaros” em São Paulo. No ano seguinte aparece o cineclube Asa (Ação Social Arquidiocesana) e a Conferência dos Bispos do Brasil cria o Centro de Orientação Cinematográfica para a orientação de espectadores sob a direção de R.P Guido Logger. O movimento assume um caráter nacional pelos esforços de alguns líderes que circulam para efetuar trabalhos em diferentes endereços do país. O Cineclube Pró Deo, forte hoje em dia, criado no sul do país, assim como outros no centro e no norte do país. A fundação de cineclubes por católicos se apóia em cursos de base, geralmente fracos e insuficientes para formar dirigentes. Mas é uma rede que estimula o desenvolvimento de centros com o encorajamento e o apóio de organismo religiosos locais. Com o fim de “formar o espectador”, os cineclubes e as outras instituições católicas se valem dos cursos cada vez mais estendidos e editam brochuras como “Curso de Cinema” e “Guia Cultural dos Filmes” ou “Elementos de Cinestitica (sic.)”. Este movimento tem conhecido uma expansão rápida e organizada; existem provavelmente mais de sessenta cineclubes católicos que não constituem, no entanto, um conjunto coerente. Com efeito, a maioria funciona com irregularidade em colégios secundários ou nos seminários, com quadros insuficientes para aprofundar os estudos cinematográficos.
* * *
As edições cinematográficas no Brasil são limitadas. Agora nós começamos a publicar algumas traduções, mas os brasileiros que quiserem fazer avançar seus estudos cinematográficos devem recorrer às publicações estrangeiras. No mais, as livrarias brasileiras negligenciam este gênero de edição. As revistas de cultura cinematográficas são esporádicas e irregulares, e tendem a desaparecer após seu primeiro ou segundo número. As mais recentes tentativas são “A Revista de Cultura Cinematográfica”, financiada por um organismo católico e que é atualmente estável, “Cineclube” órgão da Federação dos Cineclubes do Rio de Janeiro, cujo primeiro número acabou de sair, a “Revista de Cinema” de Minas Gerais, que reaparece em sua nova fase, e enfim “Delírio” publicação não-conformista.
Notas
1 - Rudá esqueceu de acrescentar “moderna” ao nome do Museu, trata-se do MAM-SP e não do MASP (N. do T.)
Fonte: http://preservacaoaudiovisual.blogspot.com/2009/01/ao-dos-cineclubes-e-das-cinematecas-na.html








































